quinta-feira, 2 de julho de 2009

Hemoglobina glicada

A hemoglobina glicada é um estudo realizado através de uma simples coleta de sangue para medir as concentrações médias de glicose durante os últimos meses; é utilizado para fazer o acompanhamento glicêmico e verificação da eficácia do tratamento que está sendo apliacado no diabético.

A hemoglobina é uma proteína dos glóbulos vermelhos do sangue que transporta o oxigênio para todo o corpo. Parte da hemoglobina existente nos glóbulos vermelhos se combina com a glicose do sangue, indicando que quanto maior for esta proporção, mais alta será a taxa de glicemia. Denominamos hemoglobina glicada a porcentagem de hemoglobina que está unida à glicose e que permite registrar os níveis de glicemia que o paciente apresentou durante os últimos dois ou três meses, já que a porção de sangue coletada apresenta glóbulos vermelhos de diferentes idades, independentemente da renovação dos glóbulos vermelhos a cada quatro meses.

Existem várias classes de hemoglobina glicada e a mais utilizada é a hemoglobina glicada A1 c, que é a que se mede com maior freqüência em pacientes portadores de diabetes e para a qual foram estabelecidos níveis ideais.

Os valores normais de A1 c, em porcentagem, oscilam entre 4% e 6%. Já para os portadores de diabetes com bom controle da doença, os valores considerados normais são os abaixo de 6%. Contudo, como valores até 7% são adequados para evitar as complicações de longo prazo, esse é um nível de corte que indica que o tratamento está adequado. Valores acima de 8% indicam que o tratamento deve ser modificado e aumentam o risco de complicações como neuropatia, retinopatia e nefropatia. Vale ressaltar que niveis muito abaixo dos normais também sao de risco, pois representam uma hipoglicemia.


Referências:
http://www.pharmopatia.com.br/
http://www.diabetes.org.br/

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Painel - Complicações do Diabetes


Este é o meu painel de BioBio sobre diabetes. Segue abaixo um breve resumo da apresentação.

A desregulação metabólica associada ao Diabetes Mellitus gera alterações fisiopatológicas secundárias em múltiplos sistemas orgânicos, impondo um enorme fardo ao indivíduo com diabetes.
Essas complicações podem ser crônicas ou agudas. Entre as complicações crônicas estão a cetoacidose o e estado hiperosmolar hiperglicêmico.

A cetoacidose ocorre devido a deficiência de insulina associada ao aumento dos hormônios contra reguladores resultando na diminuição da captação de glicose e intensificação das vias de degradação, principalmente a lipólise. Tal via aumenta a concentração de ácidos graxos livres no organismo. Normalmente esses ácidos graxos seriam convertidos em triglicerídeos ou VLDL, porém a alta de glucagon altera o metabolismo hepático favorecendo a formação de corpos cetônicos. A produção aumentada de ácido lático também contribui para a acidose, que juntamente com os corpos cetônicos geram o a cetoacidose.
O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico tem como causa a hiperglicemia que induz a diurese osmótica ocasionando a depleção do volume celular. Ainda não se sabe explicar exatamente porque este estado não é acompanhado de cetoacidose, mas acredita-se que possa ser devido a uma deficiência mais amena de insulina.

As complicações crônicas demoram mais a aparecer e estão em sua maioria associadas a hiperglicemia. Como por exemplo as lesões endoteliais que consistem na alteração do calibre dos vasos, tanto da microcirculaçao quanto da circulação sistêmica. Essas alterações geram problemas na circulação causando disfunções, como a retinopatia(principal causa de cegueira entre 20 e 74 anos nos diabéticos) e nefropatia( principal causa de insuficiência renal terminal no diabetes),também disfunções sistêmicas (gastrointestinal e genitourinarias) e doenças cardiovasculares.
Outra complicação crônica é a neuropatia que consiste na perda e danos das fibras nervosas causando dormência, formigamento, déficit sensorial e sensação de propriocepção anormal. É frequente principalmente nos membros inferiores, levando à lesões. A neuropatia pode ser autonômica, ou seja, gera disfunções nos sistemas como cardiovascular, genitourinário, submotor e metabólico.

Uma forma de avaliar os riscos para o desenvolvimento de complicações em um diabético é através dos níveis de hemoglobina glicada pois mostram se o controle glicêmico foi eficaz, ou não, num período anterior de 60 a 90 dias. Para consensos nacionais e internacionais, o valor de hemoglobina glicada mantido abaixo de 7% promove proteção contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do diabetes (retinopatia , nefropatia e neuropatia).

terça-feira, 30 de junho de 2009

Uma Dieta anti-diabetes!

Uma dieta alimentar que tem sido alvo de muitas pesquisas dos anos 50, tanto sociológicas quanto médicas e nutricionais, é a Dieta do Mediterrâneo. Ela não é uma dieta perfeitamente definida, com quantidades e medidas exatas. Na verdade, esse termo foi dado a um conjunto de costumes alimentares da ilha de Creta, Grécia, na década de 50 por Ancel Keys, que participava de observações sobre a longevidade existente na ilha, parte do estudo Seven Country. A dieta é encontrada em, pelo menos, 16 países nos arredores da Grécia, possuindo suas variações locais, devido à profunda relação que possui com a cultura geral de cada região. Assim, a dieta do mediterrâneo não é algo existente a partir de experimentos científicos, mas algo incrustado na cultura a partir de certo desenvolvimento empírico do modo de se alimentar de algumas populações no sudeste da Europa.


Sua composição básica é a seguinte: vegetais (cereais integrais, frutas, verduras, legumes e nozes em destaque), azeite de oliva como fonte principal de triglicérides, peixes e aves moderadamente, carne vermelha em pequena quantidade, queijo e iogurte de quantidade pequena a moderada, vinho ingerido moderadamente, principalmente durante ou antes as refeições (lembrando que aquela história de guardar suas cotas de vinho durante a semana para compensar no fim de semana é coisa de pilantra, e não de gregos saudáveis e felizes!).


Essa dieta tem a capacidade de diminuir o risco de problemas cardiovasculares em grupos que o possuem, como os diabéticos, provavelmente pela grande quantidade de substâncias anti oxidantes que se fazem presentes nesses alimentos, em especial no azeite de oliva virgem.


A dieta em questão possui quantidades adequadas de gorduras monoinsaturadas, e há grandes quantidades de centenas de micronutrientes, anti oxidantes, vitaminas e minerais essenciais para o correto funcionamento do metabolismo humano. Ao fornecer tudo isso, a dieta do mediterrâneo protege o campanheiro que a pratica da obesidade, diabetes mellitus II, doenças cardíacas, principalmente infarto do miocárdio, mal de Alzheimer e certos tipos de câncer.


Bibliografia
http://www.diabetes.org.br/Colunistas/Observatorio_Cientifico/index.php?id=1142
http://www.medialsaude.com.br/medicinaPreventiva.asp?menuMP=6B&Id=299

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Monitor

O monitor também perguntou, e eu, na minha ausência de ser monitorado por alguém competente que pudesse nos passar seus conhecimentos ao invés de nos desafiar com ele, não consegui responder antes do próprio.

Perguntou-me ele que cuidados devem ser ministrados a uma senhora com diabetes gestacional.

Para começar, deve ser solicitada para o diagnóstico, continuamente, com o objetivo de se avaliarem as possíveis complicações da doença, a seguinte lista de exames (provinda de http://www.fmrp.usp.br/revista/2000/vol33n4/protocolo_deteccao.pdfbr/revista/2000/vol33n4/protocolo_deteccao.pdf):

- Hemoglobina glicosilada (HbA1c)
- Proteínas totais e albumina
- Proteinúria de 24 h ou microalbuminúria
- Lipidograma
- Uréia e creatinina
- Sódio, potássio e cálcio séricos
- Ácido úrico
- Urina rotina
- Urocultura
- Fundoscopia
- ECG

A base do tratamento da cidadã com diabetes de mellitus é o tripé monitoramento glicêmico, insulinoterapia e orientação nutricional. A insulinoterapia é indicada para um menor número de casos; apenas aqueles em que não se consiga melhoras somente com o tratamento nutricional. Uma observação importante é que antidiabéticos orais não devem ser utilizados durante o período gestacional.

Dieta
A parte principal do tratamento é a dietoterapia e é a única necessária na maior parte dos casos. A dieta é individual, se adequando às características e necessidades de cada gestante, e deve ser ministrada à mulher de uma a duas semanas. O ideal ganho de peso costuma ser inversamente proporcional ao peso anterior à gravidez. Quantitativamente, a dieta deve ser composta de 35 a 40% de carboidratos, de 20 a 25% de proteínas e de 35 a 40% de lipídeos. Os carboidratos simples devem ser evitados devido aos seus efeitos causadores de hiperglicemia brusca. Dependendo do Índice de Massa Corpórea (IMC), o cálculo calórico deve ficar entre 25 e 40kcal/kg. Devido ao grande risco de cetonemia, dietas com quantidade calórica abaixo de 25kcal/kg/dia só devem ser feitas em casos especiais, como o de obesidade mórbida.

Terapia à base de insulina

Nos casos em que se faz necessária a insulinoterapia em gestantes, devem ser usadas insulinas humanas (normalmente quando as taxas de glicose ficam acima de 105mg/dl em jejum ou de 130mg/dl após 2 horas da refeição)

Inicialmente, utiliza-se insulina de ação intermediária em uma dose matinal. Quando há apenas a hiperglicemia de jejum, pode-se iniciar com uma dose de ação intermediária ao deitar. A adequação do esquema de doses deve ser feito considerando-se o controle glicêmico e o ganho de peso, podendo-se utilizar doses múltiplas de insulina de ação intermediária associadas ou não à de ação rápida.

É comum haver necessidade do aumento da dose de insulina no fim da gravidez, o que atesta o aumento da resistência ao hormônio.

Atividades Físicas
Se você acabou de passar no vestibular, atividades físicas são aquelas coisas que você largou no meio do terceiro ano e durante o cursinho, e não um livro do newton cheio de exercícios. Eles são bastante recomendados para gestantes diabéticas, contanto que não sejam extenuantes; não causam contrações uterinas nem estresse fetal. As cidadãs que já praticavam alguma exercício, antes de descobrirem que há um seio de vida no mais profundo do seu âmago (vulgo gravidez), devem continuar a praticá-los. Para sedentárias, obesas e mulheres relativamente idosas, recomendam-se exercícios aeróbicos, como caminhadas, se possível supervisionados.

Internação
Deve ser feita quando os níveis de glicemia ultrapassam 200mg/dl. O acompanhamento é semelhante ao ambulatorial, sendo que deve-se reorientar o perfil nutricional e deve haver contínuo acompanhamento dos níveis glicêmicos.

O Parto
A ocorrência de diabetes gestacional não obriga o parto cesárea. A indicação do tipo de parto deve ser feito por indicação obstetrícia, sendo necessário o preparo dos níveis glicêmicos para a chegada saudável do novo integrante desse belo e justo mundo em que vivemos.

As indicações completas do acompanhamento pré-natal e neonatal estão bem definidas em textos da bibliografia adiante.

Companheiro a quem dediquei este texto, espero que tenha podido satisfazê-lo!



Bibliografia

O Professor

O professor perguntou, e eu, na minha ausência de sapiência, não soube responder! Cá estou para me redimir.

A pergunta é qual a diferença entre o pré-diabetes e o diabetes de fato.
Bem, como sugerido pelo nome, o pré-diabetes é um estado de alto potencial para o desenvolvimento do diabetes mellitus tipo II, seria um estado intermediário entre a normalidade e esse tipo da doença. Isso não quer dizer, entretanto, que serão desenvolvidos concerteza condições para a patologia de fato. Assim, é algo ainda reversível, ao passo que o diabetes tipo II não é.

Há fatores considerados de risco para o desenvolvimento do diabetes. Tanto para homens quanto para as senhoras e senhoritas, valem os fatores histórico familiar de diabetes, idade (acima dos 45 anos), sedentarismo, excesso de peso, hipertensão arterial e altas taxas de colesterol e triglicérides sanguineas. Outro grupo de risco são as senhoras que já tiveram filhos com mais de 4kg ou que possuam a Síndrome dos Ovários Policísticos.

O melhor jeito de se detectar o pré-diabetes é medição da glicemia de jejum do cidadão em análise. Outra forma é se fazer o teste oral de sobrecarga com glicose, que pode detectar tanto o pré quanto o diabetes em si.

No caso da dosagem da glicose, o diagnóstico de pré-diabetes é dado quando, em jejum de no mínimo 8 horas, a glicemia se dá entre 100 e 125 mg/dl, ou quando na segunda hora do teste oral de sobrecarga à glicose (vulgo curva glicêmica) se dá entre 140 e 199 mg/dl, que se tem em indivíduos considerado intolerantes à glicose . Só pra dar aquela comparada, uma glicemia de 100mg/dl já é considerável, acima de 110 mg/dl já costuma ser alta.

A quantidade de pessoas que chegam ao diabetes tipo II normalmente é igual quando se compara o grupo que possui alta glicemia de jejum ao que tem alterações na segunda hora do teste horal. O que também pode ocorrer, mas mais raramente, é uma pessoa que não participa de nenhum desses grupos de risco desenvolver o diabetes mellitus tipo II.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), fez-se um estudo em que se verificou que a aquisição de novos hábitos, de tal forma que se consiga perder de 5 a 7% da massa corporal (claro que isso depende de cada caso), ajuda, no mínimo, a retardar o aparecimento do maldito, o sifão (lembrando, diabetes para os antigos gregos). Em grandes estudos realizados com pré-diabeticos, num período de 2 a 5 anos, verificou-se a queda de 50% do número de cidadãos que desenvolveram a patologia.

Assim, há evidências de que o diabetes tipo II pode ser evitado ou, pelo menos, retardado. Os indivíduos pré-diabéticos podem ser facilmente identificados pelo estilo de vida, podendo ter inúmeros ganhos com a alteração do estilo de vida, inclusive melhoras cardiovasculares e respiratórias.

Então meu companheiro, quando acabar de ler esse belo blog, vá pro parque fazer uma caminhada. E evite parar na Dom Bosco no caminho!

Segundo a American Diabetes Association, nos EUA há 41 milhões de pré-diabéticos. Viva o American Way of Life!!

E aí professor, assunto encerrado?






Bibliografia

terça-feira, 23 de junho de 2009

Complicações do Diabetes: Pé Diabético


O Diabetes Melito é a principal causa de amputações não-traumáticas nos membros inferiores. As úlceras e infecções nos pés estão constantemente presentes em indivíduos diabéticos. A alta incidência desses distúrbios está relacionada principalmente à neuropatia diabética, biomecânica anormal dos pés, problemas na circulação e má cicatrização de feridas.


A neuropatia diabética afeta 50% dos indivíduos com diabetes tipo 1 ou 2 de longa duração e consiste nos danos e perdas de fibras nervosas (mielinizadas ou não) devido à hiperglicemia. Essas alterações resultam em perda sensorial, sensação de dormência, formigamento, incomodo agudo, ou queimação, dor e perda de propriocepção e ocorrem principalmente nos membros inferiores. Por isso muitas vezes um individuo diabético sofre lesões nos pés sem perceber (devido a perda sensorial e de propriocepção) e estas acabam se agravando. Além disso, a neuropatia autonômica, um tipo de neuropatia que afeta vários sistemas do organismos, causa alterações no sistema motor, dificultando a mobilidade e aumentando os riscos de quedas e conquentes lesões.


Outra complicação que afeta os pés e ajuda o desenvolvimento das lesões e infecções é o comprometimento da circulação frequente no diabético, que acaba dificultando a cicatrização; e também a deficiência no sistema imune e na função fagocitória, ocasionadas pela hiperglicemia, que atrapalha na resposta imunológica contra infecções.


Diante disso observa-se a importância dos cuidados com os pés. É preciso estar sempre atento ao surgimento de qualquer ferida, não usar sapatos apertados e manter sempre os pés limpos e bem cuidados.


Abaixo encontra-se um vídeo sobre os cuidados com o pé diabético, sob a supervisão do Dr. Walter Minicucci. É uma iniciativa do laboratório Novo Nordisk, que vem patrocinando materiais em vídeo sobre o diabetes.





Referências:

Harrison, Medicina Interna volume II


Por: Thaís Mendonça Barbosa

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Benefícios da Atividade Física

Muitos acreditam que pessoas com diabetes não devem praticar exercícios físicos pela possibilidade de uma hipoglicemia. No entanto, quando feitos com acompanhamento profissional, os exercícios podem ser extremamente benéficos para esses pacientes.

Como se sabe, o transporte de glicose para o interior das células é mediado por um grupo de permeases, denominadas GLUTS. Basicamente, o GLUT 1 está envolvido na captação de glicose basal não mediada por insulina. Já o GLUT 4, que catalisa o transporte em músculos e tecido adiposo, tem sua ação acentuada pela insulina. Esse GLUT se encontra em vesículas citossólicas e é translocado até a membrana plasmática por estímulo insulínico, normalmente.

Nesse sentido, o exercício físico é um fator que contribui para o aumento da permeabilidade de miócitos e adipócitos à glicose, por também induzir essa translocação de transportadores. A insulina e o exercício físico utilizam mecanismos de sinalização diferentes para que essas movimentações ocorram e, por essa razão, a atuação do exercício sobre os GLUTS permanece inalterada, mesmo quando há resistência à insulina, como é o caso de diabéticos do tipo II.

Outro ponto importante é o auxílio das atividades físicas na manutenção da massa corporal, favorecendo o controle da obesidade, que tem papel fundamental no diabetes tipo II, por provocar queda no número de receptores de insulina nas células.

Além disso, após a prática de exercícios, há aumento na atividade de enzimas atuantes na glicogênese, para que seja feita a ressíntese do glicogênio quebrado anteriormente. Dessa forma, a glicose circulante diminui significativamente, levando a diminuição nos níveis glicêmicos.

Por todos esses motivos, a American Diabetes Association recomenda que diabéticos pratiquem cerca de 150 horas semanais de exercícios, tomando os cuidados necessários para evitar complicações como hipoglicemias. Essas medidas visam fornecer melhor qualidade de vida a esses pacientes.

Referências:
Marzzoco, Anita & Baptista, Bayardo; Bioquímica Básica, 3ª edição - Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2007.
Data de acesso: 21 de junho de 2009