sexta-feira, 3 de julho de 2009

Neuropatia Diabética

Neuropatia é um nome genérico dado a qualquer dano nervoso no sistema nervoso periférico. A neuropatia consiste , geralmente, em dificuldade de transmissão de impulsos nervosos pelos nervos periféricos, e os sintomas podem ser divididos e classificados em três tipos:

1. Sensitivos: dormência ou queimação das pernas, pés e mãos. Dores locais e desequilíbrio, formigamento;

2. Autonômicos: traumatismo dos pêlos, pressão baixa, distúrbios digestivos, ocorrência de pele seca, excesso de transpiração e até impotência (sim, impotência!);

3. Motores: estado de fraqueza e atrofia muscular.

A principal causa da neuropatia é o diabetes (até isso o diabetes pode provocar). O excesso de glicemia sanguínea por longos períodos (longos mesmo, pois os primeiros sintomas da neuropatia só aparecem décadas após o diagnóstico do diabetes) provoca lesões na bainha de mielina dos neurônios (aquela bainha lipídica-proteica que envolve o axônio de parte dos nervos e auxilia na transmissão dos impulsos nervosos) e desencadeia as dificuldades de transmissão dos impulsos.

Aqui vai um vídeo produzido pela turma de fisioterapia da UNIEURO sobre a neuropatia diabética:




Bibliografia:
http://www.diabetes.org.br/diabetes/complicacoes/neuropatia.php
http://en.wikipedia.org/wiki/Neuropathy

Pirâmide da atividade Física


É bastante comum vermos pirâmides dos alimentos... Uma pirâmide com alimentos dentro, e os mais perto da base são os com consumo mais indicado, e os do topo devem ser evitados, ou consumidos com mais moderação.
Trago aqui uma pirâmide da atividade física. Não é lá muito acadêmico, e é justamente por isso que ela consegue atingir a grande massa (o povo), e tenta "catequisar" a população de como melhorar a saúde.
A proposta inicial foi desenvolvida pelo Departamento de Saúde Americano (US Department of Health and Human Services). Essa versão é uma prática e simpática adaptação de Kátia Maciel, da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).
Essa pirâmide é especialmente importante para os diabéticos, porque a atividade física é mais necessária em um indivíduo diabético que em um indivíduo considerado "normal". Isso se deve ao fato de que a atividade física induz a translocação das moléculas transportadoras GLUT-4 do interior das células musculares para a membrana plasmática (sem o estímulo da insulina). Esse mecanismo é essencial para um indivíduo que desenvolveu o Diabetes Melitus tipo II, pois a resistencia à insulina dificulta essa transçocação das GLUT-4.
É por esse mecanismo que os músculos cardíacos demoram mais a desenvolver as sequelas advindas do Diabetes tipo II (os músculos cardíacos estão sempre em funcionamento).



Bibliografia:
http://fepersonal.blogspot.com/2007/09/diabetes-tipo-ii-e-exerccios-fsicos.html
http://www.diabetes.org.br/atividade_fisica/piramide.php
http://en.wikipedia.org/wiki/Heart_attack

Cartão Diabético



Prezando pelo bem estar do diabético, a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) criou um cartão de identificação do diabético, que ensina a qualquer pessoa como proceder em um momento de necessidade (em um ataque de hipoglicemia, por exemplo).





Mais informações: http://www.diabetes.org.br/ferramentas/cartao_de_identificacao.php

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Teste Oral de Tolerância à Glicose

O teste oral de tolerância a glicose, ou curva de tolerância a glicose, ou ainda curva glicêmica, é um teste que consiste na análise da resposta de um cidadão à dosagem oral . O teste auxilia no diagnóstico do diabetes mellitus e da hipoglicemia quando outros exames (como a glicemia de jejum) não detectam a doença, mas persistem os sintomas e sinais clínicos.
Quando um paciente faz a medição da glicemia de jejum, e ela acusa uma nível típico dum diabético tipo mellitus, não se pode diagnosticar imediatamente a patologia no dodói! Isso porque o diabetes é uma doença crônica, com tratamento também crônico. Assim, deve-se fazer uma avaliação mais profunda da condição do nosso querido.
Para dar um exemplo, entenda o seguinte: Quando o nível glicêmico de jejum dum cidadão está acima de 100mg/dl, há um forte indício de diabetes. Veja só, se um honradíssimo faz uma coleta de sangue e se constata o nível glicêmico de 126mg/dl, provavelmente ele possui a patologia tão abordada nesse maravilhoso e pop blog. Entretanto, imagine você que essa hiperglicemia tenha sido causada por algum tipo de infecção ou por uma irresponsabilidade do caro avaliado de não ter seguido o jejum corretamente. Assim, seria correto começar um tratamento crônico baseado em apenas uma avaliação? Não né gente... O diabetes só poderia ser diagnosticado de primeira, assim no pá e pum, se a glicemia dele estivesse acima de 200mg/dl.
Então, vamos ao aprofundamento da investigação! Com a administração via oral de glicose anidra (dextrosol) em 2 momentos, segundo recomendações da American Diabetes Association e da OMS, pode ser avaliada a resposta à ingestão de glicose, e pode-se construir uma curva glicêmica, de onde se pode fazer um diagnóstico preciso do Diabetes Mellitus, sendo que há recomendações próprias para o teste ser feito com intuito de se detectar o mellitus gestacional. As figuras estrategicamente posicionadas ao lado representam curvas glicêmicas construidas com base nesse teste. É isso aí!!



Bibliografia
http://www.biotecnicaltda.com.br/informes/TesteOraldeToleranciaGlicose.pdf
http://www.diabetes.org/

Congresso da SBD

Entre os dias 18 e 21 de novembro, ocorrerá, no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza, o XVII Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes. No Brasil, é o maior encontro sobre diabetes e aborda diversos assuntos envolvendo a disfunção, como, por exemplo, Enfermagem em Diabetes e Diabetes Gestacional e Saúde Reprodutiva. O congresso contará com simpósios acerca dos seguintes temas: Diabetes Mellitus tipo 2 e Síndrome Metabólica, Doença Cardiovascular, Diabetes Mellitus na Criança e no Adolescente, Complicações crônicas, Situações Especiais, e Educação e Saúde Pública. Além disso, haverá debates, cursos e um Workshop Nacional sobre Neuropatia e Pé Diabético.


Mais informações no site: http://www.diabetes2009.com.br/

Painel - Regulação bioquímica

Ao apresentar ao auditório meu painel, notei dezenas de olhinhos brilhando, encantados com a frase nominal "Bioquímica Sensu Stricto". Uns imaginavam, será um parente distante da Drosophila Melanogaster? Será uma magia do Harry Potter, tipo Avada Kedavra? Será o nome de um Grego que usava Canabis Sativa? Ou será uma poesia de Virgílio, Bucólicas ou Éclogas?
Bem, na verdade vós enganarde-vos a vós mesmos, vulvas, viris e virados! Sensu Stricto é uma expressão utilizada nas línguas latinas modernas adaptando a expressão latina Stricto Sensu, ou seja, num sentido mais restrito do tema. Assim, com esse painel, me propus a abordar a bioquímica propriamente dita; estritamente a parte bioquímica do diabetes.

Para resumir a meia hora que gastei falando quase sem parar, vou começar ressaltando uma ideia (olha que inovador: sem acento) que a gente tentou deixar clara em alguns painéis. Quando se fala em diabetes, historicamente há uma referência à poliúria, ou seja, o excesso de urina é o mais claro e, talvez, o principal quadro geral da doença. Assim, não é possível se descrever a bioquímica do diabetes por um única caminho, por uma linha de pensamento apenas, já que diversas causas podem se associar à poliúria.
A ênfase acaba sendo dada ao diabetes Mellitus devido à sua grande ocorrência em todo o mundo, especialmente a tipo II. Entretanto, há, por exemplo, o diabetes insipidus, que possui uma causa bastante adversa dos outros tipos, sendo que sua ocorrência é muito baixa nas populações em geral. Para se ter uma ideia, por causas genéticas há apenas 8 famílias no Brasil que possuem o fator gerador desse tipo da doença. Então vamos por partidos:

DM (Diabetes Mellitus)
Em todos os tipos as alterações se dão em relação ao metabolismo de carboidratos.
Conceitos básicos em relação ao metabolismo de carboidratos se referem à regulação por meio de hormônios, que, aliás, tem sido bastante discutidos nesse belo blog. Importante saber sobre a insulina, que age basicamente nas vias anabólicas do metabolismo (produção de glicogênio, lipogênese, proteogênese...), e o glucagon (agon=agonismo, antagonia), que age, opostamente, nas vias catabólicas (glicogenólise, lipólise, proteólise...).
O balanceamento desses hormônios promove a regulação da glicemia, que em diabéticos aparece alterada.

Tipo I
O erro, em comparação com a maioria dos humanos, se dá na produção da insulina. Normalmente, é provável, por causa autoimune: o próprio corpo degenera parte das células beta pancreáticas produtoras do hormônio, o que faz haver uma redução na insulinemia. O baixo nível de insulina promove um estado semelhante ao jejum, pois, apesar de haver sacarídeos no sangue, as células que possuem transportadores insulinodependetes (glut4) não conseguem absorvê-los para metabolizá-los. Assim, há uma inversão nas vias do metabolismo, ocorrendo a elevação no nível de glucagon e, por conseguinte, das degradações. Aí já viu o rolo: hiperglicemia, poliúria, danos a tecidos, elevação de corpos cetônicos e tudo mais...

Tipo II
O erro, quando se pondera com os demais homo sapiens, se dá na recepção da insulina.
A quantidade de receptores de insulina nas membranas celulares que os possuem não é fixo, se adaptando à quantidade de hormônio circulante. Quando os níveis são altos, há menos receptores nas membranas, sendo que, ao persistir esse estado de estímulo hormonal, a essa quantia cai definitivamente, gerando um estado de resistência ao hormônio e, portanto, aos seus efeitos. Aí já viu o rolo: hiperglicemia, poliúria, aumento do nível de insulina para compensar e posterior exaustão das células beta e tudo mais...

Tipo Gestacional
O erro, quando consideram as demais gestantes, se dá no aumento da insulina que deveria acontecer no 3º trimestre da gravidez para compensar a resistência inerente às futuras mamães.
Costumeiramente, nos dois primeiros trimestres da gravidez há grande ativação das vias anabólicas para a preparação do crescimento, no último, do rapazinho que espera avidamente para pôr o pé na mãe Terra, demarcada por bandeiras a custo de sangue, e poder ser valorizado de acordo com bandeira que ostenta no peito.
Bem, a ativação dessas vias pede um alto nível de insulina, sendo que a resistência a ela começa a ocorrer posteriormente devido à presença de outros hormônios, como o GH. Assim, para compensar, a progenitora aumenta seus níveis de insulina no fim da gravidez. Quando esse aumento não é suficiente para se contrapor à resistência, se gera um quadro clínico de diabetes Mellitus, tendo, então, a mulher, maior propensão a adquirir o tipo II da doença, devido à resistência. Aí já viu o rolo: hiperglicemia, poliúria, crescimento excessivo do bebê, com peso, muitas vezes, maior que 4kg...


Diabetes Insipidus
Esse tipo não se relaciona com o metabolismo de carboidratos, mas sim com a antidiurese e hormônios antidiuréticos (ADH), como o arginina-vasopressina.
Sendo a hipófise posterior o local onde se inicia a cascata hormonal que desencadeia a produção de ADH, problemas em sua topografia, como tumores na área, podem desencadear o maldito diabetes.
Outro importante fator de geração do diabetes insipidus é o genético. Em 98% dos casos genéticos, há problemas, se comparado aos demais cristãos, nos receptores do ADH, gerando a ineficiência de sua sinalização e consequente perda excessiva de água, que faz se baixar o volume sanguíneo e a concentração de solutos. Assim se, por exemplo, a glicemia do diabético se encontrar alta, provavelmente seja pela diminuição do volume sanguíneo, e não pelo aumento da quantidade de glicose. Aí já viu o rolo: poliúria, desidratação profunda, problemas intestinais e tudo mais...



Bibliografia (indicada no painel)
http://saude.hsw.uol.com.br/
http://www.scielo.br/
http://en.wikipedia.org/wiki/Diabetes
http://www.pathology.leedsth.nhs.uk/Pathology/
http://www.medscape.com/

Painel - Tratamentos


Aqui vai um resumo do que foi apresentado no painel de tratamentos

Pontos a se considerar sobre a insulina antes de sua administração:
Tempo de ação – tempo que ela leva para chegar à corrente sanguínea e começar a agir;
Pico de ação – hora em que ela está no seu ponto máximo em termos de redução da glicemia;
Duração – período que ela permanece no corpo, agindo

Insulinas Injetáveis
Quando a insulina foi disponibilizada, só existia a regular, de origem animal, que hoje também é obtida por meio de DNA recombinante
· Regular: Administração normalmente é subcutânea, mas em alguns casos pode ser intravenosa ou intramuscular. Sua ação é rápida.
· NPH: Ação intermediária. É a associação da insulina com a protamina, uma proteína retirada do testículo do salmão e que ajuda a retardar sua absorção
· Lenta e ultralenta: Associação da insulina com zinco, que participa da cristalização desta, retardando sua absorção. No caso da ultralenta, os cristais formados são maiores e, portanto, ela é a menos solúvel.
· Pré-misturada: A mistura mais comum é entre a insulina regular e a NPH. O grande problema desse tipo é a dificuldade em atingir o controle. É muito usada por aqueles que têm dificuldade ou prefere não administrar mais de um tipo de insulina.

Insulina inalável: Alternativa menos agressiva e muito eficaz para os diabéticos. O pó é rapidamente absorvido pelos alvéolos e 1mg corresponde a cerca de três unidades na seringa. Alguns problemas desse tipo de insulina são: ao longo do percurso respiratório há uma pequena perda de conteúdo, então uma maior quantidade deve ser utilizada; os pacientes que usam apresentam leve perda da função respiratória; ainda existem dúvidas sobre a quantidade a ser ministrada.

Análogos de insulina
A insulina é modificada em laboratório e dá origem a substâncias com poder de reduzir a glicemia.
· Ação rápida: Lispro, Aspart e Glulisina. A injeção é feita logo antes das refeições, o que permite ao paciente certa flexibilidade em seus horários. Pela pequena duração, o risco de ocorrência de hipoglicemia é menor.
· Ação prolongada: Glargina e Detemir. Sua ação é igual durante 24 horas, ou seja, não apresenta pico, o que é prejudicial após as refeições, já que nesses momentos a glicemia sofre aumento.

Antidiabéticos orais
· Sulfoniluréias e as Meglinitidas: são secretagogos de insulina e, como o próprio nome já diz, estimulam a secreção de insulina pelas células β do pâncreas.
· Biguanidas (Metfominas): inibem a gliconeogênese pelo fígado e melhoram a sensibilidade do organismo à insulina.
· Tiazolidinedionas (Glitazonas): são sensibilizadores de insulina, possibilitando aumento na captação de glicose em miócitos e adipócitos. Mecanismo de ação: estimulam receptores em células sensíveis à insulina, levando a um aumento na expressão de GLUT 1 (não dependente de insulina) e GLUT 4. Além disso, aumentam a glicogênese.
· Inibidores da α-glicosidase: Retardam a absorção de carboidratos pelo intestino, diminuindo a glicose circulante.

Transplantes
· Transplante de Ilhotas de Langerhans: as Ilhotas do doador são transplantadas na veia porta do receptor e por esse meio alcançarão o fígado. Lá, elas se ligarão aos vasos sanguíneos e começarão a secretar insulina. O transplante é feito no fígado porque, além de ser um bom alojamento para as ilhotas, seu acesso é muito mais fácil que o acesso ao pâncreas.
· Transplante de pâncreas: É um transplante duplo, pois rim e pâncreas são transplantados. É indicado para diabéticos tipo 1 que apresentam insuficiência renal originada pela doença. O rim funciona como uma espécie de marcador de rejeição, já que o pâncreas não possibilita essa medição.
· Transplante de células-tronco: Inicialmente o paciente passa por uma quimioterapia, na qual as células do sistema imune, que estão destruindo as células β do pâncreas, são destruídas. Depois são injetadas células-tronco do próprio paciente e espera-se que elas reconstituam tanto o sistema imune como as células pancreáticas.

Exercício
- Como a insulina, provoca aumento no número e na translocação de GLUT 4 para a membrana da célula. No entanto, os mecanismos de sinalização da insulina e da contração muscular são diferentes e, por essa razão, a translocação por meio do exercício ocorre sem problemas em pacientes resistentes à insulina;
- Promove aumento da sensibilidade do organismo à insulina;
- Atua no controle da massa corporal;
- Depois do exercício, o glicogênio utilizado deve ser ressintetizado e as enzimas ligadas à glicogênese ficam mais ativas, levando a uma diminuição da glicemia.
Obs.: As vantagens do exercício para diabéticos estão melhores explicadas no post “Benefícios da Atividade Física”, do dia 22 de junho de 2009.

Alimentação
- Como o exercício, auxilia no controle da massa corporal, evitando a obesidade;
- Uma dieta recomendada por profissionais ajuda na manutenção da glicemia.
Obs.: A relação da obesidade com o diabetes está melhor explicada no post "Obesidade x Diabetes", do dia 17 de junho de 2009.

Tratamentos alternativos
· Escorpião: Alguns estudos mostraram que o veneno do é capaz de promover a multiplicação das Ilhotas de Langerhans.
· Fitoterapia: A pata-de-vaca é a planta mais utilizada para esse fim. Acredita-se que ela tem papel do controle do diabetes, além de ser um agente diurético. Entretanto, ainda não há estudos que comprovem sua eficácia.

Diabetes insipidus
O tratamento do diabetes insipidus, que nada tem a ver com o diabetes mellitus, consiste no consumo constante de água, para que o organismo do paciente não fique desidratado e na utilização de um hormônio antidiurético, a desmopressina, que pode ser administrado por via intranasal, subcutânea, intramuscular ou intravenosa.